Contagem Regressiva
Olho para o relógio e percebo que falta pouco. Poucos minutos para livrar-me do que é velho e abraçar o novo. Mas e se o novo for apenas uma despedida? Estou me despedindo de mais um ano ou dando adeus a quem eu amo?
Dez perguntas dominam o meu pensamento, mas dentre elas, nove não possuem respostas. Lembro-me bem de como isso começou. Foi em algum momento de agosto, o mês do desgosto! Tudo parecia bem, até que sete alarmes, que soavam como uma única voz, me fizeram acordar, repentinamente do meu sono. Falta pouco, a voz repetiu em minha mente, mas que voz era essa? Falta pouco para o que exatamente?
Dali a seis meses, eu sabia, seria meu aniversário, mas a voz não parecia se referir a isso. Cinco chances, ela voltou a dizer, mas olhando ao redor, apenas os quatro quadros nas paredes pareciam notar o meu desconforto. Por três vezes eu tentei voltar a dormir, mas os meus dois olhos se recusavam a fechar.
Um sentimento dominou meu corpo. Percorreu cada centímetro da minha carne. A voz suave e solitária sussurrou em meu ouvido: Feliz Ano Novo! E desapareceu.

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