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Amor Fati

Foto do escritor: Ruan Martins
Ruan Martins
21 de jan.
2 min de leitura

Por muito tempo, busquei compreender por que minha vida tomou a forma que tem. Voltei-me para dentro, revisitei memórias, percorri fragmentos do passado à procura de uma explicação que fosse suficiente ou, ao menos, suportável.

Como era inevitável, vieram as perguntas:

E se eu tivesse feito diferente?

E se tivesse insistido mais ou desistido antes?

Que outra vida poderia ter surgido dessas escolhas que já não existem?

Dizem que temos controle sobre os pensamentos. Mas, para alguém ansioso, essa afirmação soa quase abstrata. Os pensamentos não pedem permissão para surgir. Eles chegam, insistem, ocupam. Compreendo a necessidade de dominar os sentimentos, mas, ainda assim, muitas vezes sou dominado por eles. Não por falta de razão, mas por excesso de humanidade.

Talvez a vida se torne menos árdua quando aceitamos uma verdade simples e desconfortável: não fomos feitos para controlar tudo. Não damos conta de tudo, e isso não é falha moral. A felicidade não é a eliminação da tristeza, assim como a serenidade não é a ausência de conflito. A vida não deveria ser a busca incessante por um estado ideal que nunca se fixa.

Há coisas que simplesmente acontecem. Um curso dos acontecimentos que não escolhi, mas no qual estou inserido. O erro, talvez, não esteja no destino, mas em gastar a vida perguntando o que poderia ter sido diferente, quando a pergunta mais honesta é outra:

o que estou fazendo com a realidade que se apresenta agora?

O que, de fato, depende de mim?

Que atitudes ainda estão sob meu domínio?

Qual é a minha responsabilidade, não a culpa, no caos em que me encontro?

Sem julgamentos.

Sem a ilusão de controle absoluto.

Apenas a aceitação lúcida de que algumas coisas escaparão sempre às minhas mãos, e que isso não representa um fim, mas um deslocamento do olhar. Quando deixo de lutar contra o que não posso mudar, sobra energia para agir onde ainda é possível.

Talvez seja isso amar o destino: não desejá-lo diferente, mas aprender a responder a ele com dignidade.

 
 
 

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